terça-feira, 20 de outubro de 2009

Julieta sem Romeu

O Romeu foi o sonho real da Julieta no drama shakespeariano. Não por acaso, este mesmo Romeu se perpetua em formas diversas na mente e no coração de tantas outras jovens sedentas por amor.
No subconsciente de todas as garotas vive um belo e formoso rapaz, o último dos românticos. A perfeita visão do príncipe encantado das histórias infantis contadas pela mãe, ao pé da cama, minutos antes de dormir.
Tal visão pode mudar em cada perigosa mente feminina. Uns são loiros, outros morenos. Alguns são fortes e másculos outros, magros e delicados. Adônis e Narciso. Mas o que todos os Romeus têm em comum é a existência inexistente.
Paradoxal? Talvez. O que não podemos negar é que todas as meninas têm (entre tantos outros) um delírio, no mínimo, interessante. Nós, mulheres, imaginamos alguém por quem buscar. Criamos, em nosso momento Julieta, nosso Romeu.
O Romeu é o símbolo da exigência feminina. O símbolo do inalcançável por nós, singelas mortais. Só Julieta foi tão longe. Só ela mereceu o amor de Romeu. Ainda assim, teve que pagar o amor com dor, com a própria morte.
O desejado príncipe não precisa mais salvar a mocinha da madrasta malvada ou resgatá-la de torres protegidas por dragões. Ele precisa apenas salvar a donzela de si mesma.
Quiçá faltem Julietas no mundo. Meninas puras, de bom coração, que se deixem serem salvas e que não tenham medo de amar.
Apenas não me perguntes o que é “este tal de amor”. Aliás, seu moço, sabes donde estará meu Romeu?